
Foram confirmados os primeiros casos de greening (HBL) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (8/6). As plantas com sintomas da doença foram identificadas em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina. A confirmação ocorreu após análises em laboratório da rede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Desde então, equipes do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi) e da Superintendência Federal de Agricultura do RS (SFA-RS/Mapa) estão mobilizadas na região e realizam o monitoramento das áreas próximas ao pomar afetado, para adotar as medidas fitossanitárias necessárias e evitar a disseminação da doença.
As medidas adotadas seguirão as diretrizes do Plano de Ação estabelecido com base na Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening. A propriedade onde o foco foi identificado possui cerca de 20 mudas de citros. Conforme determina o protocolo fitossanitário, será realizada a erradicação das plantas infectadas e o controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora do greening. A principal hipótese é de que a introdução da doença no Estado tenha ocorrido por meio da aquisição de mudas irregulares já contaminadas.
O diretor do DDV, Ricardo Felicetti, destacou que as equipes já estão atuando na área do foco, mas também com ações de vigilância em toda a região, com atenção especial aos pomares comerciais e ao trânsito de material propagativo cítrico. “O Rio Grande do Sul desenvolve há muitos anos um trabalho permanente de monitoramento e prevenção ao greening. No entanto, estados vizinhos e regiões de fronteira já registravam a presença da doença há algum tempo. Felizmente, a confirmação ocorreu em um pomar doméstico localizado em uma região sem grande concentração de citricultura comercial. Vamos adotar todas as medidas necessárias para impedir a disseminação da doença para outras regiões do Estado”, destacou Felicetti.
O Serviço Oficial da Seapi e do Mapa reitera a recomendação do uso de material de propagação (mudas) que atendam à legislação do Mapa quanto à origem e aspectos sanitários. Também cabe ressaltar que o greening não representa risco à saúde humana. Seus principais impactos ocorrem na produção citrícola, provocando deformação dos frutos, perda de qualidade e redução da produtividade das plantas.
Monitoramento e fiscalização permanentes
De novembro de 2025 a março de 2026, o DDV instalou e monitorou 374 armadilhas em pomares de 77 municípios gaúchos, realizando 4.326 leituras ao longo do período. O objetivo foi detectar a presença do psilídeo, vetor da doença. A cada 15 dias, as cartelas adesivas das armadilhas são substituídas e o material recolhido passa por análise para identificação de insetos suspeitos. A Seapi atua por meio de apoio técnico, capacitações, distribuição de materiais informativos e disponibilização de armadilhas adesivas amarelas.
Além do monitoramento por armadilhas, em 2025 foram realizadas 211 inspeções em pomares distribuídos por 65 municípios. Durante essas ações, foram coletadas 13 amostras de material vegetal com suspeita da doença, todas com resultado negativo para a presença da bactéria causadora do greening. Em 2026, até o momento, já foram realizadas 47 inspeções em 19 municípios, com a coleta de oito amostras de material vegetal suspeito. Assim como no ano anterior, todas as análises apresentaram resultado negativo para a presença da bactéria.
Entre as medidas de prevenção adotadas no território gaúcho, além do monitoramento contínuo, estão as ações previstas na Portaria nº 1.326 do Ministério da Agricultura, que determina que o material de propagação de citros seja produzido em ambiente protegido e a partir de plantas matrizes indexadas e certificadas.
O greening é considerado uma das doenças mais severas da citricultura mundial. A enfermidade afeta todas as espécies de citros e, até o momento, não possui tratamento eficaz para plantas infectadas. Entre os principais sintomas estão o amarelecimento das folhas, a produção de frutos pequenos, deformados e com sabor amargo, além da redução da produtividade e da morte de plantas como laranjeiras, limoeiros e bergamoteiras.
Informações: Secretaria de Agricultura do RS