Carnes: Faep critica suspensão europeia e exige envio urgente de dados pelo governo

07/06/2026 às 13:08 atualizado por Guilherme Nannini - Estadão | Siga-nos no Google News
:

O Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) afirmou que a decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne bovina do Brasil - e, consequentemente, do Paraná - não condiz com a realidade do sistema produtivo nacional e estadual.

Em posicionamento oficial, a entidade ressaltou que tanto o País quanto o Estado contam com um elevado status sanitário e uma robusta organização da cadeia pecuária, amparados inclusive pelo reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação.

Diante do impasse comercial, a federação informou que vai cobrar do governo federal o envio urgente de todas as informações necessárias para sanar as exigências do bloco europeu, evitando a interrupção das vendas em setembro.

A manifestação da FAEP ocorre após a Comissão Europeia formalizar o veto para a compra de proteínas brasileiras a partir de 3 de setembro. De acordo com o comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, as informações prestadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para garantir o cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos, como antibióticos, nas criações.

A restrição atinge bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas. Em 2025, os embarques dessas proteínas para a UE geraram uma receita de US$ 1,8 bilhão, inseridos em um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para o bloco, segundo dados estatísticos divulgados pelo Estadão.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que as negociações diplomáticas continuam para tentar reverter a barreira, com tratativas recentes ocorridas na reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. No âmbito setorial, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, cobrou um posicionamento mais firme do Executivo federal contra o que classificou como uma agressão comercial.

Por outro lado, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ponderaram que a medida da UE não aponta problemas de desconformidade sanitária no campo, mas sim uma divergência burocrática sobre a validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).


Últimas Notícias

Whatsapp