
Celebrado em 7 de junho, o Dia Estadual do Vinho reforça a importância de uma das cadeias produtivas mais tradicionais e estratégicas do Rio Grande do Sul. Líder nacional na produção de uvas, vinhos e espumantes, o Estado reúne milhares de famílias rurais, movimenta bilhões de reais na economia e recebe investimentos públicos voltados à qualificação e à expansão da atividade.
Entre as principais ações de incentivo ao setor está a aplicação de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (Fundovitis). A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) destinou R$ 44,3 milhões para ações de fortalecimento da cadeia produtiva desde 2023, dos quais R$ 34,9 milhões já foram pagos até o momento.
“Hoje, cerca de 15 mil famílias cultivam videiras em aproximadamente 48 mil hectares no nosso Estado. A atividade tem forte presença da agricultura familiar, especialmente na Serra gaúcha, e desempenha papel relevante na geração de renda, empregos, turismo e valorização da identidade regional”, destaca o secretário da Agricultura, Márcio Madalena.
Os recursos são administrados pelo Conselho de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Consevitis-RS), responsável pela execução de um plano de trabalho que contempla iniciativas voltadas à ampliação da competitividade, à modernização dos processos produtivos e à promoção dos vinhos gaúchos nos mercados nacional e internacional.
O Fundovitis financia projetos de capacitação técnica, pesquisa, inovação tecnológica, assistência técnica, extensão rural e promoção comercial. Entre as ações estão a participação em feiras, congressos e eventos nacionais e internacionais, a criação do Espaço da Uva e do Vinho na Expointer, o desenvolvimento de aplicativos para divulgação dos produtos vitivinícolas brasileiros, plataformas de seguros para a atividade e investimentos no Laboratório de Referência Enológica (Laren), em Caxias do Sul, vinculado à Seapi.
Safras promissoras
As perspectivas para a atual safra são positivas. O inverno rigoroso de 2025 proporcionou condições favoráveis ao desenvolvimento das videiras, com acúmulo de horas de frio acima da média em importantes regiões produtoras. A ausência de geadas tardias contribuiu para uma brotação vigorosa e para a formação de um elevado número de gemas frutíferas, criando condições para uma safra promissora em 2026.
Mais do que um produto associado à cultura e à gastronomia, o vinho representa uma atividade econômica estratégica para o Rio Grande do Sul. No Dia Estadual do Vinho, os números demonstram que a cadeia vitivinícola segue em expansão, combinando tradição, inovação e investimentos para consolidar a posição do Estado como principal referência brasileira na produção de vinhos e espumantes.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra gaúcha de uvas alcançou 957 mil toneladas em 2025, crescimento de 36% em relação às 703 mil toneladas registradas em 2024. O Valor Bruto da Produção atingiu R$ 2,29 bilhões, configurando uma das melhores safras da última década na Região Sul. A expectativa para 2026 é de manutenção dos elevados volumes produtivos, com cerca de 905 mil toneladas da fruta.
A maior parte da produção gaúcha é destinada à indústria. Aproximadamente 92% das uvas colhidas são utilizadas na elaboração de vinhos, espumantes, sucos e derivados, enquanto o restante segue para consumo in natura. Os municípios de Flores da Cunha e Bento Gonçalves figuram entre os principais polos produtores voltados à industrialização.
Painel acompanha desempenho do setor
O setor também passou a contar com ferramentas digitais de monitoramento. O Painel da Produção Vitivinícola, disponibilizado pelo Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, reúne indicadores sobre produção, industrialização, comercialização e movimentação da cadeia produtiva, permitindo um acompanhamento mais transparente e detalhado do desempenho da atividade nas diferentes regiões gaúchas.
“O Dia Estadual do Vinho celebra a tradição e o trabalho do setor produtivo, aliados à tecnologia e às inovações permanentes que contribuem para a manutenção da competitividade e a geração de riqueza para o Rio Grande do Sul, aspectos muito bem evidenciados pelo Painel da Produção Vitivinícola”, ressalta o diretor do DDV/Seapi, Ricardo Felicetti.
A plataforma auxilia produtores, cooperativas, vinícolas, entidades e gestores públicos na tomada de decisões e no planejamento de políticas voltadas ao desenvolvimento da vitivinicultura.e Bento Gonçalves figuram entre os principais polos produtores voltados à industrialização.
Informações: Elstor Hanzen/ Ascom Seapi
Foto: Fernando Dias/ Ascom Seapi