Agricultura

Embrapa lança cultivar que pode ser usado na nutrição sem glúten

Grão integral gera farinha branca e produtos semelhantes aos produzidos com trigo

28/08/2019 - 10:53 | Por Redação - SBA | Siga-nos no Google News

A unidade Clima Temperado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lança o milho BRS 015 Farináceo Branco, que funciona como uma alternativa ao trigo na produção da farinha e nutrição sem glúten. De acordo com a Associação de Celíacos do Brasil (Acelbra) um a cada 600 brasileiros é celíaco. O lançamento ocorrerá no dia 29 de agosto, durante a Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul, que começou no dia 24 de agosto e termina no próximo sábado, dia primeiro.

O grão gera produtos similares aos obtidos com o trigo a partir da sua farinha branca, como pães, biscoitos e bolos, mesmo sendo integral. Resulta em uma farinha mais fina, em maior quantidade e com estrutura menos arenosa. Em comparação a outros tipos, apresenta bom desenvolvimento durante a moagem e pode levar a rendimentos de extração de amido de 40% superior, o que auxilia em deixar a massa mais macia e dar boa estrutura, compensando a falta do glúten, responsável por esses aspectos.

Em entrevista ao Canal do Boi, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e um dos responsáveis pela variedade, Éberson Eicholz, afirma que o cereal tem foco na alimentação humana. “O principal diferencial da cultivar é a produção de farinha de milho mais fina. Apresenta teores de 9% de proteína, 4,5% de lipídios, e 2,91% de fibra bruta e minerais, como cobre, manganês, ferro e zinco, superiores aos do milho tradicional”, Eicholz explica.

Sobre o início da pesquisa, ele conta que o grão tem origem em plantas coletadas em propriedades rurais gaúchas na década de 90. “A variedade é originada da combinação de mais de cem progênies selecionadas pela Embrapa Clima Temperado entre 2003 e 2008, a partir de plantas da população original denominada Branco Açorianos, coletada em propriedades de agricultores de São José do Norte (RS)”, afirma o pesquisador.

A perspectiva é que a semente seja disponibilizada para plantio comercial na safra 2019/2020, e tem como foco atender agricultores familiares, além de pequenas agroindústrias e sistemas de produção orgânica. Para adquirir a semente, é necessário entrar em contato com os multiplicadores licenciados, Cooperativa União dos Agricultores Familiares de Canguçu/RS e Cooperativa Agroecológica Nacional Terra e Vida (Coonaterra).

Foto: Paulo Lanzetta (Divulgação Embrapa)

 

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