Economia

Caminhoneiros repudiam ‘auxílio-diesel’ prometido por Bolsonaro

De acordo com a categoria, auxílio não seria suficiente para resolver a causa do problema gerado pelas altas nos preços dos combustíveis

22/10/2021 - 09:43 | Por Thalya Godoy - SBA | Siga-nos no Google News

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), uma das entidades representativas que está a frente da organização da possível greve dos caminhoneiros para 1º de novembro, emitiu nota em que repudia o “auxílio-diesel” de R$ 400 prometido pelo presidente Jair Bolsonaro, na última quinta-feira (21).

“Em vez de tratar a causa, quer tratar o efeito colateral dela. É preciso extirpar o mal dessa política errada da Petrobras que começou no governo Temer e segue no governo Bolsonaro”, afirma o diretor da CNTTL, o caminhoneiro autônomo, Carlos Alberto Litti Dahmer.

No dia 29 de setembro, o preço médio do óleo diesel A vendido pela Petrobras para as distribuidoras passou de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro, um reajuste médio de R$ 0,25 por litro. Para o consumidor final, o reajuste subiu R$ 0,22.

Bolsonaro prometeu em evento no Pernambuco, na última quinta-feira, um auxílio no valor de R$ 400 a 750 mil caminhoneiros autônomos para ajudar no preço do óleo diesel. 

O presidente não revelou qual seria a fonte de custeio do benefício e afirmou que mais detalhes seriam dados em breve. 

Os caminhoneiros atribuem ao Preço de Paridade Internacional (PPI) como a causa das altas nos valores do diesel, que reajusta os preços dos combustíveis de acordo com o valor do barril de petróleo que tem a sua variação no preço internacional, cotado em dólar.

Em vídeo enviado à CNTTL, um caminhoneiro autônomo de Cuiabá explica que atualmente gasta 3 mil litros de óleo diesel por mês, pagando R$ 5,10 por litro. O gasto chega a R$ 15.300 por mês de combustível e com novos aumentos o valor poderá subir para R$ 17,100.

“Nada justifica um país rico em petróleo. Queremos a mudança da política de preços da Petrobras”, diz o caminhoneiro de Cuiabá. 

Governo prometeu auxílio de R$ 400 para ajudar no pagamento do óleo diesel. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Greve
Na última quinta-feira (21), grupos de caminhoneiros entraram em greve na região sudeste do país, em protesto ao “aumento abusivo do ICMS que impacta nos custos e na alta nos preços dos combustíveis. Eles reivindicam a redução dos preços do diesel, gás de cozinha, gasolina e outros derivados do petróleo”, informa a CNTTL.

Na manhã desta sexta-feira (22), foram registradas longas filas em postos de combustíveis em Belo Horizonte e Região Metropolitana. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística  (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA) organizaram o encontro no último sábado (16), no Rio de Janeiro, em que os caminhoneiros decidiram entrar em greve a partir de 1º de novembro, caso o governo federal não atenda a pauta de reivindicações. 

As três associações representam 855 mil caminhoneiros autônomos e celetistas. As entidades informam que a mobilização dos caminhoneiros que estão em estado de greve segue forte em todo o país e que as associações estão abertas ao diálogo com as autoridades brasileiras.

Confira a lista de reivindicações dos caminhoneiros organizada no encontro do último sábado:

  • Redução do preço do diesel e revisão da política de preços da Petrobras, conhecida como Preço de Paridade de Importação (PPI); 
  • Constitucionalidade do Piso Mínimo de Frete;
  • Retorno da Aposentadoria Especial com 25 anos de contribuição ao INSS e a inclusão do desconto do INSS pago pelo caminhoneiro (PL2574/2021) na Lei do Documento de Transporte Eletrônico;
  •  Aprovação do novo Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas (PLC 75/2018);
  • Aperfeiçoamentos na proposta do Voto em trânsito no Senado.
  • Melhoria e criação de Pontos de Parada e Descanso (Lei 13.103/2015) entre outras medidas.

 

Foto de capa: Wenderson Araujo/ Trilux/ Sistema CNA Senar

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