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Economia

Indústria de celulose impulsiona desenvolvimento social e sustentável no MS

Empresas do setor no MS investiram em iniciativas ambientais, sociais e econômicas durante a pandemia

15/09/2021 - 13:05 | Por Thalya Godoy - SBA | Siga-nos no Google News

A indústria de celulose impulsiona a economia de Mato Grosso do Sul. Posiciona o estado como líder de exportação do produto que, nos oito primeiros meses do ano, gerou uma receita de US$ 1.01 bilhão, com 2.787 milhões de toneladas embarcadas, segundo a Carta de Conjuntura, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), a prática de árvores plantadas recupera áreas anteriormente degradadas, diminui impactos ambientais e promove o desenvolvimento econômico e social das comunidades do entorno dos plantios e das fábricas.

Em abril deste ano, o município de Três Lagoas recebeu o título de Capital Nacional da Celulose, por meio da Lei 14.142, publicada no Diário Oficial da União. A cidade abriga duas grandes empresas do setor, a Suzano e Eldorado Brasil que, juntas, foram responsáveis pela abertura de milhares de emprego durante a pandemia.

Indústria de celulose tem forte presença na economia de Mato Grosso do Sul
Foto: Wenderson Araujo/ Sistema CNA Senar

 

A Eldorado Brasil, em 2021, contratou 1.300 profissionais e está com processo seletivo aberto para 190 vagas de início imediato, a maioria em Três Lagoas. Entre os cargos estão ajudante e líder florestal, motorista, mecânico, borracheiro, soldador, analistas de logística, suprimentos, além de outros.

De acordo com a empresa, os processos seletivos seguem protocolos sanitários, com foco na segurança dos funcionários e candidatos. “Ao seguir contratando, a Eldorado contribui para a geração de empregos e recuperação da renda formal em Mato Grosso do Sul. Não por acaso, estamos entre os setores que mais empregam no Estado”, afirma o diretor de Recursos Humanos, Sustentabilidade e Comunicação, Élcio Trajano Jr.

No primeiro semestre de 2021, o setor industrial gerou 4.391 empregos formais no estado, o que o coloca no terceiro lugar em geração de empregos, segundo a Semagro, a partir dos dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged).


Termelétrica Onça Pintada
Em abril deste ano, com autorização da Aneel, a Eldorado Brasil colocou em funcionamento a sua primeira termelétrica, nomeada como Onça Pintada. A expansão da geração de energia verde pela empresa proporcionou aproveitar materiais que antes eram descartados na fabricação de celulose, como tocos e raízes.

De acordo com a Eldorado Brasil, com o acionamento das térmicas para reforçar a geração de energia no país durante a crise hídrica, a termelétrica Onça Pintada surge como alternativa sustentável, em meio ao predomínio de usinas movidas a combustíveis fósseis, gás natural e carvão.

Localizada no complexo industrial em Três Lagoas, a termelétrica tem capacidade de processamento acima de mil toneladas de biomassa de eucalipto por dia e fornece energia verde ao Sistema Elétrico Nacional, suficiente para abastecer uma cidade com 700 mil pessoas.

Termelétrica Onça Pintada fornece energia para a populção por meio do Sistema Elétrico Nacional
Foto: Divulgação Eldorado Brasil

 

Com 50MW de capacidade instalada, a UTE Onça Pintada gerou 90.000 MWh de energia elétrica de maio a julho.

Todo o volume energético gerado, exceto o usado para o funcionamento da usina, é fornecido ao Sistema Elétrico Nacional. A UTE Onça Pintada utiliza tecnologia inédita no país para geração de energia verde, a partir da biomassa do eucalipto plantado, tornando-a na primeira empresa do país a aproveitar 100% das árvores cultivadas.

A energia elétrica proveniente de bases florestais ainda representa menos de 1% do total gerado no país, o que evidencia a relevância da inovação do projeto.

A empresa possui mais de 200 mil hectares de florestas plantadas e mais de 100 mil hectares de áreas de conservadas em Mato Grosso do Sul. A fábrica de celulose tem capacidade para produzir mais de 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano.


Projeto Cerrado
Em maio de 2021, a Suzano anunciou o Projeto Cerrado, em referência ao maior bioma do Mato Grosso do Sul, que será implantado em Ribas do Rio Pardo. No valor de R$ 14,7 bilhões, representa um dos maiores investimentos privados do país atualmente.

A nova unidade da Suzano será responsável pela produção de 2,3 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto de mercado.

“Esse projeto vai gerar pelo menos 10 mil empregos diretos no pico da obra, além de milhares de empregos indiretos em toda a região. Quando concluída, a nova unidade deve empregar 3 mil pessoas, entre colaboradores próprios e terceiros, e movimentar toda a cadeia econômica regional”, afirma o diretor de Engenharia do Projeto Cerrado, Maurício Miranda.

Obras do Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo, tiveram início em maio. Foto: Divulgação Suzano

 

A construção da nova fábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo está na fase de obras prévias de infraestrutura. O início da operação está previsto para o primeiro trimestre de 2024.
De acordo com o diretor, o estado de Mato Grosso do Sul foi escolhido para a implantação do projeto devido a forte relação da empresa com o estado (Suzano chegou ao MS em 2009), e pela viabilidade da instalação.

“Nada mais natural que a empresa realizasse estudos técnicos, logísticos, financeiros, climáticos, e mesmo de IDH, entre outros, no Estado, que apontaram Ribas do Rio Pardo como o município mais adequado para a implantação de nossa nova unidade”, afirma.

“A Suzano já iniciou a qualificação profissional de moradores de Ribas e região que estarão capacitados para atuar nas operações florestais ou mesmo em outras empresas”, ele acrescenta.

O Projeto Cerrado também planeja integrar as empresas sul-mato-grossenses na implantação do empreendimento. Prestação de serviços de apoio (estadia, transportes, alimentação, segurança, limpeza, jardinagem, administração geral, eventos, locações de áreas), fabricação de peças de pequeno porte, serviços de civil, montagem eletromecânica de pequeno porte e serviços de TI, estão entre as áreas que já participam ou participarão da construção da nova fábrica. 

“Além de empregos, toda essa movimentação de empresas também significa a geração de divisas para o estado e o município”, prevê Miranda.

No início de setembro, o secretário da Semagro, Jaime Verruck, em visita às obras que iniciaram em maio, comentou que o projeto estimulou o desenvolvimento da infraestrutura da região. “A ideia é que essas oportunidades de trabalho possam ser utilizadas pelas pessoas daqui. Por parte do governo [estadual], temos acordo para estruturação de rodovias, pontes, hospitais e também da segurança pública”, afirmou Verruck.

O modelo de investimento social da Suzano tem como premissa a atuação em comunidades vizinhas às suas operações, por meio de projetos que possibilitem o desenvolvimento econômico e social, o fortalecimento da cidadania e o despertar pela educação socioambiental. No Mato Grosso do Sul, a Suzano apoia 20 projetos, em 9 cidades e 29 localidades, em parceria com as comunidades locais. 

 

Nas obras da construção do novo empreendimento, a atenção sobre os cuidados sanitários para combate à Covid-19 envolvem uso obrigatório de máscaras e álcool em gel 70%, orientações sobre distanciamento em áreas compartilhadas e profissionais para tirar dúvidas dos trabalhadores. O índice de imunização entre os funcionários é de 94%, até o momento.

“Os ônibus que levam os profissionais da obra recebem higienização a cada viagem e possuem cortinas plásticas separando todos os assentos, mantendo assim um isolamento adequado também no transporte. No local de trabalho, além de receberem e usarem todo o material de proteção, na portaria da obra é aferida a temperatura e os trabalhadores são convidados no início e no final do expediente a passar por uma cabine de sanitização para garantir que entrem e saiam da obra livres de contaminação”, detalha o diretor Miranda. 

 

Foto de capa: Wenderson Araujo/ Sistema CNA Senar

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