Agricultura

Localização na lavoura muda percepção sobre o tempo e produtividade da cana-de-açúcar

Descoberta, feita por pesquisadores da USP, pode contribuir para aumentar a produtividade nos canaviais

07/06/2021 - 15:52 | Por Frederico Diegues - SBA | Siga-nos no Google News

Apesar de estarem na mesma lavoura, os espécimes de cana-de-açúcar percebem as transições nas fases do dia em momentos distintos. Algumas percebem o amanhecer com um atraso de até duas horas em relação as outras, como se estivessem em um fuso horário diferente. Essa diferença na percepção das plantas em relação ao tempo pode estar relacionada com sua localização na lavoura.

Os espécimes posicionados no lado leste, por exemplo, recebem luz solar direta com antecedência de duas horas em relação aos localizados na parte oeste da plantação. Assim, as células das folhas iniciam a fotossíntese em diferentes momentos.

A descoberta, feita por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ – USP), pode contribuir para aumentar a produtividade nos canaviais.

O estudo foi publicado na plataforma bioRxiv e apresentado em palestra duante a Brazilian Bioenergy Science adn Technology Conference (BBEST) edição 2020/21, evento realizado no fim de maio, que faz parte das atividades do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Os pesquisadores dedicaram os últimos anos para estudar o ritimo circadiano das plantas – mecanismos moleculares utilizados por elas para ajustar o relógio biológico, assim percebendo a passagem do tempo e coordenando as funções fisiológicas. Uma das perguntas que pretendem responder é como o relógio biológico das plantas contribui para a produtividade da lavoura e como isso pode ser útil para a agricultura.

Um experimento inicial, feito por pesquisadores da Universidade de Cambridge em 2002, constatou que versões de uma planta da família da mostarda, modificada geneticamente para evidenciar um gene marcador do relógio circadiano, fixavam menos carbono, tinham menos eficiência no uso de água e eram menos produtivas do que as plantas do tipo selvagem. 

Carlos Hotta, professor do IQ – USP e coordenador do projeto, que fez seu doutorado em Cambridge, afirma “Essa constatação nos motivou a analisar o relógio cicrcadiano de plantas com safras muito produtivas, como a cana-de-açúcar", ele explica.

"Estamos observando que os microambientes são capazes de causar mudanças no relógio circadiano das plantas. Apesar de dividirem uma mesma lavoura, as plantas se comportam como se estivessem vivendo em fusos horários diferentes”, afirma.

“Assim como para os humanos, dormir duas horas a mais ou acordar duas horas antes faz uma grande diferença para as plantas”, finaliza Hotta.

 

Com informações da Fapesp. / Foto: Pixabay. 
 

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