Preço do leite pago ao produtor ultrapassa 50% no acumulado do ano

No mesmo período do ano passado, o preço médio registrava queda de 4,5%

Preço do leite pago ao produtor ultrapassa 50% no acumulado do ano

No mesmo período do ano passado, o preço médio registrava queda de 4,5%

Pecuária
Por Esthéfanie Vila Maior e Jorge Zaidan - SBA
30/08/2018 às 11h
O valor atingiu R$ 1,54 por litro na “Média Brasil”

O preço do leite pago ao produtor subiu pelo sétimo mês seguido. O valor atingiu R$ 1,54 por litro na “Média Brasil”, sem incluir frete nem impostos. Os dados foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), nesta quinta-feira (29).

O número representa um aumento de 4,6% em relação ao mês anterior e de 28,4% comparado a agosto de 2017. Desde o início do ano, o leite acumula alta de expressivos 50,2%. No mesmo período do ano passado, o preço médio registrava queda de 4,5%.

A alta foi motivada pela maior competitividade entre as indústrias, que está acirrada desde o final da greve dos caminhoneiros, em junho, quando houve desabastecimento de lácteos no mercado. Para garantir matéria prima, muitos laticínios fizeram acordos de curto prazo com os produtores. A medida acabou sustentando as altas em agosto.

Outro fator foi a oferta limitada de leite no campo. A produção neste ano foi prejudicada pela saída de produtores da atividade e pelos menores investimentos, reflexo das dificuldades enfrentadas em 2017. Somado a isso está o período de entressafra, que deve seguir até outubro. Os volumes de leite captado também devem seguir em baixa, devido ao atraso da safra de inverno no sul.

De acordo com o relatório da Cepea, o movimento de alta não deve ser mantido em setembro. A justificativa é que a demanda por lácteos ainda está baixa e o consumidor não demonstra capacidade de absorver novas valorizações dos derivados do leite. As cotações do leite spot e do longa-vida registraram quedas de julho para agosto. O dado é importante para a formação do preço pago ao produtor. 

A maioria dos entrevistados pelo Cepea acredita em queda nos preços recebidos pelos produtores em setembro. A razão é um novo equilíbrio de mercado, com a normalização dos estoques e com as cotações retornando a patamares condizentes com a demanda. Entretanto, a intensidade da queda dependerá do volume ofertado em agosto e da capacidade das empresas em competir neste cenário desafiador.

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