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No dia mundial da água a fundação SOS Mata Atlântica alerta para a contamiação do rio São Francisco

A onda de rejeitos da tragédia socioambiental da empresa Vale S.A., em 25 de janeiro, já atingiu o Rio São Francisco.

22/03/2019 às 12h   |   Por Rosa Cabral - SBA

O estudo realizado entre os dias 8 e 14 de março pela Fundação SOS Mata Atlântica, mostra que rejeitos ultrapassaram a represa,  em Felixlândia MG. Segundo a fundação, a onda de rejeitos da tragédia socioambiental da empresa Vale S.A., em 25 de janeiro, alcançou o Rio São Francisco. O documento retrata ainda triste realidade no Brasil: Em apenas 6,5% dos rios da bacia da Mata Atlântica, a qualidade da água é considerada boa e própria para o consumo.

Foto: Divulgação

 

Malu Ribeiro, especialista em água e assessora da SOS Mata Atlântica afirma: “Os rios brasileiros estão por um triz, seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta dos maus usos da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos”. Ainda de acordo com a assessora, “os rios estão sendo condenados pela falta de boa governança”.

Segundo os dados, nove dos 12 pontos analisados entre Felixlândia e Pompéu, no ponto onde o Rio Paraopeba deságua no Rio São Francisco, já estão com água imprópria para o consumo da população. Do total, 9 estavam em condições ruim e 3, regular.

Nos pontos de coleta, a turbidez – transparência da água – estava acima dos limites legais da Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para qualidade da água doce superficial. Esse indicador , em alguns locais, chegou a alcançar duas a seis vezes mais que o permitido pela resolução.

As concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos pela legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco, apontou o estudo.

Na divulgação a SOS Mata Atlântica afirma: “Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões elevados”.

A SOS Mata Atlântica, divulgou também neste dia Mundial da água a situação geral dos rios. Segundo a instituição, Além de ter 6,5% dos rios da bacia da Mata Atlântica com água própria para consumo, dos 278 pontos de coleta de água monitorados em um total de 220 rios, 74,5% apresentam qualidade regular, 17,6% são ruins e, em 1,4%, a situação é péssima.

No fechamento, O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias da Mata Atlântica, o estudo conclui que nenhuma amostra foi considerada ótima com o lamento de que os rios estão perdendo lentamente a capacidade de abrigar vida, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade. A qualidade de água péssima e ruim, obtida em 19% dos pontos monitorados, mostra que 53 rios estão indisponíveis – com água imprópria para usos – por conta da poluição e da precária condição ambiental das suas bacias hidrográficas, segundo a fundação.


 


 


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